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domingo, 24 de fevereiro de 2013

JATAI - Transferência do tronco de arvore para caixa racional INPA

[Figura-1] Jatai no tronco de arvore
Uma das atividades muito prazerosa é a de fazer a transferência de um enxame de ASF que se encontra alojada no tronco de arvore, pois as surpresas e dificuldades vão aparecendo conforme a atividade vai evoluindo.

Na figua-1 podemos ver o enxame de Jatai alojada no tronco de Alecrim, por incrivel que pareça é do jeito que vocês estão vendo mesmo, ou seja, o tronco deveria estar em sua posição normal, mas o ninho foi contruido com o tronco na posição invertida, somente pude certeza disso após a abertura do tronco.  Mas a pessoa que me forneceu, informou que a posição era essa mesmo ( invertida ), e, realmente estava certo.
[Figura-2]Preparando para abrir o toco
É sempre assim, a gente pega o toco e fica namorando pra ver por onde começar a rachar o bicho, procurando um meio mais facil e aproveitando o proprio "veio" da madeira para facilitar o máximo possivel o trabalho. Depois de algumas analises, temos que recorrer a serra eletrica ( veja ao lado, figura-2 ). Durante o processo de abertura do tronco, procuro dar o mínimo possivel de pancadas ( marretas e cunhas ), para não abalar muito a estrutura do ninho, pois os ovos podem "gorar" com as pancadas.

Sempre temos que estar cercado dos aparatos que vão os auxilar durante o trabalho, facão, marreta, cunha, serra eletrica, extensão eletrica, facas, bandejas, fita crepe, papel toalha, recipiente para coletar cera e mel, etc.  Tudo isso é preciso para que você não interrompa o trabalho para ir buscar uma ferramenta que esqueceu e precisou dela.  Estão lembrando de uma postagem que fiz sobre planejamento para divisão de enxames, ( você pode ver no link : Divisão de enxames: planejamento  ).

[Figura-3] Estudando o toco para rachar
Na figura-3 podemos ver o momento de estudo por onde começar a rachar o toco. Foi relamente uma rachada, inclusive fiquei até mais musculoso depois do serviço, de tanto fazer força. Mas foi divertido, trabalhoso, mas gratificante.

Nessa foto ( figura-3 ) podemos ver o batume em uma das laterais do toco, ele serve para escoar a agua, caso entre, e também para promover a ventilzação interna quando necessário.





[Figura-4] Toco serrado, começando a abertura
Na figura-4 podemos ver que o toco já se encontra com um dos lados já serrado para facilitar a entrada do formão e cunha, ferramentas estas que nos axuliarão para a abertura, temos que fazer força em alguns momentos, faz parte do processo, é preciso desenvolver a atividade com bastante atenção, pois podemos danificar a estrutura do ninho, a cada avanço, temos que monitorar pra ver se a movimentação não está impactando na deformação do ninho.





[Figura-5] Toco rachado e ninho aparecendo
Pronto, o toco foi rachado e aberto, que beleza !!!
Momento de admiração e apreciação, a cor dourada do involucro do ninho e dos potes de mel e polém brilham à luz do sol, com um cheiro agradavel de sentir.

Nessa nora temos que tomar muito cuidado, pois o cheiro do polém vai atrair os forideos, todo polém que for retirado deve ser guardado em local fresco e longe do local do manejo.

Agora começa a parte mais tranquila, porém envome conhecimento e praticas inerentes ao assunto. Nesse momento temos que manusear o ninho com bastante calma, carinho e delicadesa, para que não danifiquemos nada, temos que preservar toda a estrutura.

[Figura-6] Estrutura do ninho dentro de caixa racional
Na figura-6 podemos ver a estrutura do ninho dentro de uma caixa racional modelo INPA.
Nesse momento os potes de mel e polém não foram transferidos, para não atrair forideos e possiveis formigas.

A alimentação artificial será realizada no dia posterior, pois nesse momento as abelhas estão preocupadas em arrumar a nova casa e todas estão desorientadas com o novo ambiente, e se os forideos começarem a atacar, ficará mais dificil as coisas para o lado delas. Então vamos por partes.
Depois que o bico de entrada estiver totalmente refeito, apesar de ter dado uma forcinha pra elas, onde confeccionei um bico da propria cera e coloquei lá.

[Figura-7] Bico de entrada "mole", calor intenso
No horario que fiz a transferência ( 10h00 ) o calor estava intenso, tanto que depois que coloquei o bico de entrada,  ele ficou bastante mole, quase derreteu (  rsrsrsrs... ).











[Figura-7] Enxame dentro de caica racional
Pronto !!!
Depois de muito trabalho, o resultado é gratificante, o ninho já está dentro da caixa racional, de forma segura, onde todas as campeiras já começam a ocupar seus espaços lá dentro.

Com o enxame dentro de caixa racional, fica mais facil de administrarmos, monitorarmos e dar assistencia devida quando necessário. Já no toco, isso não acontece. Perceberam quantos beneficios temos em usar a caixa racional, as coisas ficam bem mais faceis.

Bom, agora vem a parte de monitoramento desse enxame que foi transferido até que o mesmo tenha reservas de mel e polem, enquanto isso não acontece, temos que dar assistencia para o mesmo.

É isso pessoal, o dia que tiverem a oportunidade de fazer uma transferência de enxame do toco para caixa racional, vocês vão se divertir muito.

Grande abraço e muito sucesso pra vocês.


sábado, 16 de fevereiro de 2013

FORIDEOS : medidas curativas e preventivas


Mais uma vez vamos falar desse inseto indesejavel, mas é preciso saber tudo sobre ele e tomar as medidas necessárias.

 Entre os meliponicultores (criadores de abelhas indígenas sem ferrão), os forídeos são conhecidos por se tratarem do pior inimigo das abelhas nativas. As espécies mais comuns pertencem aos gêneros Pseudohypocera e Melaloncha. Geralmente, levam à destruição total das colônias afetadas e espalham-se com rapidez para as demais colônias, sendo considerados os únicos insetos capazes de eliminar completamente um meliponário. As intervenções de salvamento por parte dos meliponicultores são muito trabalhosas e, freqüentemente, pouco eficientes. Alguns meliponicultores chegam mesmo a recomendar sua eliminação total e sumária, através da queima de colônias atacadas por forídeos, evitando, assim, a infestação de todo o meliponário e a perda de outros enxames.

Pseudohypocera kerteszi pertence à ordem Diptera (insetos com apenas um par de asas, denominados moscas, mosquitos e borrachudos) e, observado ao microscópio, apresenta pequeno tamanho (0,1 a 0,3cm de comprimento), cores escuras e aparência curvada (tórax arqueado), além de antenas finas e mais longas do que o normal entre os dípteros. Suas asas possuem poucas e incompletas nervuras, e seu abdômen é curto, dirigido para baixo. Em colméias de abelhas melíferas, as moscas-dos-favos adultas, se deslocam muito rápido entre os favos e sobre os mesmos, especialmente nos favos laterais, escondendo-se temporariamente dentro dos alvéolos. Suas larvas têm coloração amarelo-esbranquiçada e formato característico da ordem Diptera: a cabeça não é aparente e não têm pernas. No último ínstar, medem 0,8 a 1cm, portanto, são bem maiores que o adulto. Concluída a fase larval, as moscas passam para a fase pupal, terminando seu ciclo de metamorfoses e rompendo o casulo para iniciar a fase adulta.
O ciclo de infestação das colméias inicia com a aproximação e entrada das moscas-dos-favos adultas nas colônias, atraídas pelo cheiro das mesmas. As fêmeas fazem a oviposição, que pode chegar a 70 ovos por postura, sobre as células com pólen (potes, no caso dos meliponíneos, ou alvéolos e favos, no caso das abelhas melíferas) ou sobre as células de cria (potes com ovo ou larva em desenvolvimento, no caso de meliponíneos). Conforme as condições térmicas e de umidade, em pouco tempo eclodem as larvas, o que acontece em 3 dias ou menos, podendo se dar em até 6 a 8 horas. As larvas passam a se alimentar do pólen disponível ou, ainda, das larvas e pupas de abelhas acidentalmente mortas pelo meliponicultor. O ciclo de vida completo pode se dar em períodos muito curtos, de 3 a 10 dias, conforme as condições ambientais e a disponibilidade de alimento, seguindo-se, consecutivamente, de novos ciclos de infestação.
A maioria dos forídeos vivem em matéria vegetal em decomposição, fungos e mesmo carcaças de animais mortos. Porém, algumas espécies desta família apresentam habitats bastante peculiares, desenvolvendo-se dentro de formigueiros em atividade, cupinzeiros, vespeiros e, inclusive, ninhos de abelhas. As fêmeas nas espécies que habitam formigueiros e cupinzeiros, com freqüência não apresentam asas, o que pode ocorrer também em forídeos que convivem permanentemente com colônias de certos meliponíneos, como irapuás ou mandaçaias.
A presença do forídeo Psudohypocera kerteszi nos apiários e meliponários exige por parte dos criadores e dos técnicos extensionistas a adoção de várias medidas de controle. Neste sentido, torna-se importante a inspeção periódica das colméias visando monitorar a presença deste inseto. A retirada e tratamento, ou eliminação, de uma colônia atacada no apiário ou no meliponário deve ocorrer o quanto antes. Métodos curativos apresentam difícil aplicação pelos criadores e baixa eficiência nas colônias, portanto, os métodos preventivos são aqueles que devem ser adotados sistematicamente pelos apicultores e meliponicultores no campo e nas colméias.
a) Medidas Curativas:
No apiário, o método de controle curativo preconizado para um enxame com forídeos inclui a remoção de todos os favos atacados e o deslocamento dos demais favos que compõem o centro do enxame, exatamente para a posição dos favos atacados que foram removidos na colméia. O espaço vazio no lado oposto do interior do ninho, ou em ambas as laterias, deverá ser preenchido por novos quadros com cera alveolada ou com favos provenientes de colônias sadias. Neste segundo caso, são escolhidos favos com depósito de pólen e mel e favos com cria operculada. A troca da caixa antiga, contaminada com larvas e pupas de moscas pelas paredes internas, por uma caixa nova ou limpa, é recomendável. Da mesma forma, a alimentação artificial, o reforço do enxame com abelhas provenientes de outra colméia ou a união com outro enxame, são procedimentos positivos para eliminar rapidamente o problema.
O controle curativo de forídeos em meliponários inclui o diagnóstico e a tomada de decisão quanto ao nível de infestação existente. Na fase inicial, observam-se mosquinhas adultas circulando pelo interior da caixa e larvas nas lixeiras. Na fase terminal, muitos adultos (mais de 50 indivíduos) são observados na face interna da tampa, há larvas e pupas em vários pontos da colônia, os potes de pólen apresentam aspecto úmido e estão repletos de larvas de mosca. Nesta fase, a rainha cessa totalmente a postura. As medidas específicas de controle dos forídeos e de salvamento das colônias preconizadas para cada fase são variadas, mas geralmente complementares. Da mesma forma como em abelhas melíferas, quando a infestação é intensa, a colônia de meliponíneos deve ser transferida para uma caixa nova. A operação é feita longe das demais colônias, preferentemente em um cômodo fechado, para permitir a retenção e a eliminação dos forídeos adultos que alçam vôo quando se abre a caixa. Apenas os discos de cria em idade mais avançada (de coloração clara), além de todas as abelhas operárias adultas e da rainha, são aproveitados na transferência, enquanto que os demais discos de cria (as jovens, com ovos e larvas) e os potes com mel e pólen são totalmente descartados. As abelhas são alimentadas artificialmente todos os dias, até que não se observe mais nenhum forídeo no meliponário. No cômodo fechado, as mosquinhas, pupas e larvas devem ser mortas e a caixa será raspada internamente, limpa e desinfetada com fogo.

b) Medidas Preventivas:
Os métodos preventivos de controle são os mais efetivos no combate ao ataque de forídeos. Os criadores devem manter o apiário ou o meliponário sempre limpos, livres de materiais em decomposição e restos de colônias mortas ou caixas abandonadas. Favos velhos devem ser retirados, substituídos por quadros com lâminas de cera alveolada. Na meliponicultura, durante as revisões, não se deve danificar os potes de pólen ou de crias e é importante fechar a caixa o quanto antes. Na divisão de meliponíneos, as novas colônias devem ficar sempre populosas (cerca de 200 operárias) e sem potes de pólen.
Armadilhas caça-forídeos podem ser espalhadas nas proximidades do meliponário ou mesmo dentro das colônias. Além de capturar as moscas-dos-favos que ocorram junto das caixas, servirá de monitoramento das condições sanitárias ao meliponicultor. Garrafas plásticas, como as de refrigerante ou água, servem para o ambiente externo, enquanto que pequenos frascos de vidro ou plástico, desde que bem vedados, como os de filmes fotográficos, servem para o ambiente interno das colônias. São perfurados na tampa com broca fina ou prego, o mínimo necessário para possibilitar a passagem das moscas-dos-favos (2mm de diâmetro), mas impedir a entrada dos meliponíneos. Em cada frasco, colocar vinagre (preferentemente de maçã e misturado com um pouco de pólen, se possível) em quantidade suficiente para cobrir o fundo do frasco. As revisões podem ser diárias e a troca do vinagre é feita a cada 3 ou 7 dias.
Além disso, todas as colméias deverão ser mantidas fortes e com boa reserva de alimentos, pois enxames populosos e bem nutridos resistem mais ao ataque de inimigos naturais e doenças. Enxames fracos, com pouca população, devem ser fortalecidos com operárias ou favos de cria provenientes de outras colméias. Nos períodos de escassez de néctar e pólen, alimentação artificial deverá ser fornecida às abelhas pelos criadores.


É isso aí pessoal, espero ter ajudado um pouco mais no controle desse inseto indesejável com essa postagem.
 
Grande abraço e muito sucesso pra você.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Divisão de enxames: Planejamento

Divisão de enxames : Planejamento.

Isso mesmo !!!  Usamos os artificios da Administração dentro dos conceitos de Meliponicultura, para que as atividades se realizem com sucesso.

Sem um planejamento prévio do que vai ser feito, as chances de alguma parte do prcesso ( divisão ) poderá ocorrer de forma não esperada e imediatamente temos que reajustar o processo e fazer um reajuste. Sem contar que estamos lidando com ASF ( Abelhas Sem Ferrão ), podemos ter surpresas além do já esperado ( conhecidos pelos Meliponicultores ).

Se você planejou tudo antes de iniciar a atividade de divisão, pode ficar tranquilo, pois tudo vai transcorrer de forma rápida e segura. Quanto menos tempo levarmos para fazer uma divisão, melhor, pois as abelhas, discos de cria e a colméia ficam menos tempo esposta ao tempo, e, consequentemente menos vulneravel ao ataque dos forideos ( não gosto de escrever essa palavra "forideos", mas temos que nos prevenir ).




Recomendações



Ao visitar o meliponário é interessante tomar alguns cuidados,tais como:
  • Usar roupas claras. Cores escuras agitam as abelhas
  • Evitar o uso de perfumes ou outros cheiros fortes, assim como não fumar durante o manejo.
  • Evitar movimentos bruscos com as colméias ou favos, pois podem danificar ovos e larvas em desenvolvimento. 
  •  Não permanecer em frente às entradas dos ninhos inter-rompendo o curso de vôo das abelhas.
  • No caso de remover a colméia, recolocá-la no local mantendo a posição original (especialmente a direção da entrada).
Como planejar para fazer uma divisão com sucesso:


1) procurar fazer a divisão em dias ensolarados, quentes;
2) evitar dia que está ventando muito;
3) iniciar a divisão por volta das 09h00 da manhã, pois as abelhas terão o resto do dia para se
    reorganizarem;
4) ter por perto os materiais necessários para serm utilizados durante o processo da divisão
    ( listagem logo abaixo );
5) evitar interrupção da atividade ( pessoas curiosas );
6) preparar previamente o novo local onde a caixa mãe vai ser transferida, já com o suporte instaldo e 
    telhado pronto.
7) a caixa filha ( vazia ) deve estar totalmente pronta, com todos os módulos, equipada com recipiente
    para alimentação artificial;
8) a caixa filha ( vazia ) deve estar equipada com a armadilha para forideo.
9) deixar as "bolotinhas de cera" prontas no fundo do ninho da caixa vazia, para receber os discos de 
    cria da caixa mãe. 

Bom pessoal, as instruções acima descritas é uma forma de se fazer a divisão, essa abordagem pode ser melhorada, mas com certeza, seguindo esse planejamento você terá sucesso em qualquer divisão de ASF.


Quanto aos materiais de apoio, veja a relação abaixo:

Item
Função
Espátula e formão
Abertura das colmeias
Palitos de madeira
Manuseio do invólucro
Faca
Uso geral
Fita adesiva
Vedação das frestas das colméias
Solução de água e açucar
Alimentação das abelhas
Recipientes com vinagre
Armadilhas para forídeos
Caderno e lápis
Anotações
Colmeias vazias
Uso em atividades ou transferências
Água e panos limpos
Limpeza durante o manuseio
Martelo e pregos
Eventuais consertos em colméias
Mascara telada
Manuseio de tubuna
Seringa
Coleta de mel
Sugadores de abelhas
Captura de abelhas
Recipiente com tampa
Deposito de mel colhido
Recipiente para alimento
Colocar alimento para as abelhas
Cera alveolada
Envolver os discos de cria